A mente
solta, abruptamente, as rédeas do pensamento e voam alto, juntos. Tão alto que
sobe à espinha o calafrio do desnorteio, do descontrole. Não posso perder de
vista a mim mesma. Apago a luz, talvez assim me concentre em me trazer de
volta. O quarto é tão pequeno, como posso estar tão longe? Toco minha pele.
Talvez assim lembre a mim meu limite físico. De nada vale. Como uma pipa a
perder-se de vista no céu, localizo minha mente a uma distância inesgotável,
perdida e leve. Penso na queda livre, em sua velocidade e lucidez. Algo que me
trouxesse à terra firme, talvez assim caísse em mim. Ou me deixo levar por
novos ares, por asas fortes, por resignificados. Talvez assim me extrapolasse.
Luísa Gontijo
9 de março de 2015
19 de novembro de 2013
Pierrot
Quando chegar o carnaval, pretendo ver o céu que não vejo daqui. Pretendo deixar o vento fazer passar o dia, varrer a vergonha. Deixar a noite fazer hora enquanto jogo o ano fora. Fazer-me despreocupada, desinibida, dissimulada. Ser tudo que não fui até então. Conversar com passarinhos, deitar na grama e observar formigas. Coisas de criança, de autoaceitação. Quando chegar o carnaval, vou viver de fotossíntese e fotografia. Comer a luz do dia e à noite revelar solidão. Deixar chegar a quarta-feira de cinzas e arrancar meu peito fora. Voltar a ser quem fui até então.
3 de outubro de 2013
20 de setembro de 2013
Fazia frio
Era noite. Atravessei a rua a passos largos, mas não tão firmes, pois estava de salto alto. Você sabe, não tenho costume. O vento gelado cortava minha pele e a cada minuto contava dois. Fazia frio, mas eu não o sentia. Vesti a blusa pra me proteger de olhares. A passos largos te buscava em pensamento e a gente conversava por telepatia, onde mudávamos o mundo e depois esquecíamos.
a Thiago, pelo aniversário.
30 de abril de 2013
Sensível
Sensível
Como a página do livro velho
Como a sola do pé novo
Sensível
A tudo e a todos
Ao berro e ao beijo
Ao calo e ao colo
Sensível
Como a língua atenta
Ao fino fio de cabelo
A incomodar na boca
Como a página do livro velho
Como a sola do pé novo
Sensível
A tudo e a todos
Ao berro e ao beijo
Ao calo e ao colo
Sensível
Como a língua atenta
Ao fino fio de cabelo
A incomodar na boca
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