Sempre fui um tanto quanto nostálgica. No final da minha infância, mesmo sendo uma criança meio pra frente por ter muitas referências adultas, eu entrei num momento drástico e dramático de medo da perda e do desconhecido. Não queria deixar de ser criança. Eu amava, com todas as minhas forças, tudo que eu fazia e podia fazer por estar naquela condição, e tinha uma assustadora consciência disso. Não fui daquelas que usava saltinho, batonzinho e saia de bolsinha, almejando e venerando outras idades e fases de vida. Eu explorava ao máximo a minha condição de criança, aproveitava a falta dos seios pra nadar sem a parte de cima do biquíni porque eu podia e amava poder. Coisas do tipo.
Sou nostálgica, sinto muitas saudades de milésimos de momentos que vivi em diversos momentos da minha vida. Sinto muita falta de lugares, viagens e pessoas que ficaram pra trás, que passaram por mim e pararam no tempo (pra mim). E eu choro. Aquilo me toca tão profundamente que chega a ser inenarrável, dói.
Mas engraçado, me dei conta disso agora. Sabia que eu era, mas não sabia o quanto. Não havia me dado conta! Hoje percebi que me entrego absolutamente ao que (ou quem) me cativa. Sou ligada à pessoas, lugares e momentos como quem tivesse um cordão umbilical. Isso é legal e bonito pela pureza e sinceridade da coisa, da partilha, da entrega, do meu amor ao que eu amo, mas, em contrapartida sofro além do normal na hora da perda.
Engraçado. Me inspirei a escrever este post pelo buraco que criei em mim na falta de certos momentos, lugares e pessoas que por força do acaso relembrei de uma maneira especialmente intencional. Mas a nostalgia por si só se fez um tema mais interessante, e a inspiração não vem mais ao caso.

