12 de setembro de 2012

Brand New Satart ♪

Ela devia saber que ele fala da boca pra fora. Ele devia saber que ela ouve com o coração. Ela devia saber que a espera é difícil. Ele devia esperar menos. Ela demora, mas ele espera demais. Ela precisa encarar mais, ele pensar menos. Ele precisa se lembrar, enquanto ela se esquece. Aproveitar que ela está esquecendo e se lembrar. Aproveitar que ele está se lembrando e esquecer. Enquanto isso eles vão se encontrando, se revivendo, se amando, se lembrando e esquecendo.

13 de maio de 2012

Domingo

Ficar forte é fácil. Difícil é se manter.Difícil é balancear dentro de si o negativo em prol do positivo, a conseqüência em prol da causa. É fácil distrair. A gente sempre acha um bar. Difícil é achar a razão em meio a tanto tiroteio, a tantos ferimentos. Tem coisa que dói, que fere e não cicatriza. Palavra fere feito faca. É amolada, fria e cortante. E faz sangrar. Às vezes de maneira irreversível. Às vezes mata.

27 de março de 2012

Pôr-do-sol com você

Meu amor por você mais parece o pôr-do-sol. É impreciso e maravilhoso. Não se sabe se é dia ou se é noite, mas preenche tudo quanto é peito, tudo quanto é pele. É tudo aquilo que quero gritar e ao mesmo tempo guardar e só absorver, de tão especial.. De tão abstrato é concreto. De tão concreto é indefinido. De tão indefinido é preciso. E como preciso disso..

13 de março de 2012

O som da minha personalidade

Toda vez que ouço Los Hermanos revivo uma fase fundamental da minha vida. É uma coisa extremamente estranha e especialmente única. Narro aqui com a certeza de que ninguém que ler isso vai rascunhar entender do que estou falando. Narro com a sensação de que ninguém vai ler isso. E nem precisa.

O primeiro disco, o Bloco, o Ventura e o 4, formam a trilha sonora da minha personalidade, ou da concretização do surgimento dela pra mim. Quando descobri o tal som, estava no auge dos meus 13 pra 14 anos, naquela fase em que recebemos uma enxurrada de influências do pessoal da escola – quero dizer, do pessoal que mira o pessoal da escola. E eu via tudo aquilo e não me sentia ali. Naquele ambiente ouvia muita coisa, sempre da mais baixa qualidade (na minha opinião).. e eu enxergava aquilo, não queria aquilo.

Não queria ser diferente, nunca quis ser diferente. Uma das coisas que tenho na minha personalidade é ter birra de quem quer ser alguma coisa. Quando a gente quer ser alguma coisa é porque a gente não é aquela coisa.. Porque pra ser basta existir.. E eu existia daquela maneira, sem gostar daquilo que chegava pra mim, na busca do que eu realmente queria. Eu queria algo, o que é bem diferente de querer ser algo.

Cresci ouvindo MPB, de boa qualidade. Aqui em casa o rádio fica ligado quase que o tempo todo. Disso eu sempre gostei, mas gostei porque foi injetado em mim, anos e anos da minha infância. Apesar de ainda ser apaixonada por essa tal MPB de que estou falando, sei que não amei apenas por conta própria, foi a conta própria somada às contas de papai e mamãe.

Com Los Hermanos não, o som era meu, a conta era minha.. A minha personalidade estava em jogo na fase em que me encontrei ouvindo os caras. Aquilo foi o marco de tudo que se sucedeu. E ainda sucede e ainda vai suceder. Eles foram a trilha sonora do meu começo, e vão fazer parte do meio e vão estar comigo no fim..

Hoje ouço e revivo aquela fase, aquela descoberta, aquela sensação mágica, aquele gostinho, aquele cheirinho..

Enfim, ando ansiosa com o show que está por vir.. 


22 de fevereiro de 2012

Acelerados querendo desacelerar

Aí você debruçou em meu peito, de peito colado, meio que se jogou. E meus seios quentes colaram em seu peito suado, acelerado. Seu coração estava acelerado, e você estava exausto, ávido, leve. E o meu coração acelerado pareceu ouvir o seu, até que entrou no mesmo compasso. Os corações acelerados suplicavam a desaceleração do tempo, pra que aquilo durasse, pra que aquilo ficasse.

10 de fevereiro de 2012

Sonífera tarde

O sono é algo da mente.
É algo que mente pra gente.
Finge que você está acordado,
mas na verdade você não está dormindo.
Você vai, mas volta.
Vai e volta..
vai e..
zzzZZZzz

30 de janeiro de 2012

Queria me conhecer, me decodificar. Queria, racionalmente, entrar no meu emocional, no meu inconsciente. Ou no consciente, mas nem isso. Queria tirar umas férias e ir pro interior, pro meu. De fato eu precisaria jogar migalhas pelo caminho pra conseguir voltar pra fora, pra não me perder. Sou um labirinto. Me sinto em um labirinto, procurando a saída, ou a entrada, ou qualquer coisa que não seja isso. Fecho os olhos e é tão escuro. E a escuridão é fria, imensurável, solitária.. E eu me sinto pequena perto de mim, do que não conheço de mim, do nada que conheço de mim. Ir lá no fundo seria, indiscutivelmente, minha viagem mais longa, mais perigosa. Vale a pena? Vale a pena silenciar para ouvir o coração bater, bater, bater? É seguro? É uma ida sem volta, sem consolo materno, sem conselho paterno. É ir sem você. É estar sozinha, estar só comigo, mas tenho tanto medo de mim.. E chorar não me adianta, sorrir não me adianta, o que eu preciso é me adiantar e sair da superficialidade de mim mesma.

“O Palhaço” fez-me rir

Esta semana, começando bem minhas merecidas férias depois de um semestre tão cansativo e proveitoso, tive o prazer de assistir – no cinema, quanto tempo.. – “O Palhaço”, filme atuado e dirigido por Selton Melo. Alías, essa figura é pra mim uma incógnita! Acho ele um ator limitado (apesar de ótimo) – tendo em vista que seus personagens são todos parecidos, com trejeitos e dialetos similares -, mas como diretor ele me surpreendeu. Na verdade, não entendo nada de cinema, não assisti os grandes clássicos e não sei bem o que é bem conceituado ou não para os pseudocults. Contudo, na minha humilde e limitada opinião, adorei as tomadas, os takes, a fotografia.. a sensibilidade em geral. Resumindo: quero assistir mais coisas dirigidas por ele.
Mas o que eu queria mesmo era assistir mais filmes! Toda vez que assisto a um filme que me toca, como tocou o último, fico com isso na cabeça “porque eu não assisto mais filmes?”. Sei que essa paixão só precisa ser despertada, como foi com a música quando eu era apenas um feto, e sinto faíscas dela de quando em vez.
Enfim, “O Palhaço” é (foi) pra mim um filme muito bem dirigido, sensível, poético, colorido e com uma mensagem muito bonita e importante, que não poderia ser dita a mim num momento mais ideal.

* Do blog antigo - De 02 de dezembro de 2011

Feito criança..

Me deu uma vontade louca e incontrolável de chorar. Veio lá do fundo, de uma maneira sem igual! De cara pensei: “Porra, deixa eu correr pro banheiro, porque vou chorar muito, feito criança!” Pensado e feito, chorei muito. As lágrimas jorravam do meu rosto, saltavam dos meus olhos.. mesmo, feito criança! Desespero, agonia, angústia.. Poxa, ontem eu não era criança? E hoje tanta cobrança, responsabilidade, compromisso, obrigação, pressa, seriedade.. Me sentia tão capaz quando eu era criança.. Me senti tão incapaz ali, sentada no chão do banheiro, tão inferior, tão pequena diante do universo.. Foi quando levantei e olhei no espelho. Com o rosto avermelhado e úmido disse a mim mesma, em pensamento:
- Pronto. Agora que me permiti chorar feito criança, é hora de me libertar e me tornar Luísa!


* Do blog antigo - De 17 de novembro de 2011

“Sambinha bom é esse que te traz de volta..” ♪

Outro dia você foi embora e deixou seu perfume em minha blusa. Você foi embora, deixou seu perfume e levou minha saudade. Foi embora, deixou seu perfume, levou minha saudade que me levou junto. E agora não consigo mais voltar em mim.

* Do blog antigo - De 26 de outubro de 2011

Se faltar carinho: ninho

Pela janela do meu trabalho, avisto dois grandes prédios, separados por aproximadamente dois metros. Através da fresta de separação entre os largos blocos de concreto e vidro vejo um pedaço da Serra do Curral, como plano de fundo. Quando eu chego, às 13h, não tenho o costume de olhar diretamente para ela, mas quando vai dando o finzinho da tarde sempre fico namorando-a. Ela fica me chamando e eu correspondo fixamente .. Por essas horas o sol, se pondo do lado oposto, bate diretamente nela, só nela, como se quisesse destacá-la das demais coisas que avisto por minha janela. Os prédios? Ahh, os prédios viram moldura.. Meu professor de História da Arte diria que a Serra seria o ponto de fuga da minha janela. E ela fica lá, tão bonita, tão forte e poderosa, tão verde, tão amarela, tão Brasil! E sinto Minas Gerais, sinto Clube da Esquina, sinto Milton.. e lembro de Camelo: ♫ “Se quiser a paz: Minas Gerais”♪ .

* Do blog antigo - De 07 de outubro de 2011

Dirija com atenção!

Outro dia fui e voltei do shopping dirigindo. Isso não é nada demais, claro, mas dirijo muito pouco porque não tenho carro, e sempre que surge uma oportunidade gosto de usá-la que é pra não perder a prática. Sempre quando dirijo, ainda bem, ando com o triplo da atenção, observando tudo e todos ao meu redor, com um olhar bem analítico do meu panorama. Bom, saí do shopping e enquanto esperava o fluxo de carro diminuir para entrar na avenida olhei para frente e avistei um estúdio de música. Era um estúdio de música qualquer? Bom, por vários anos foi para mim, afinal sempre passei por ele para ir a esse mesmo shopping e nunca sequer havia reparado que aquilo era, de fato, um estúdio de música. Porém, ao conhecer meu namorado, me aventurei a ir a um ensaio de sua banda da época, em dezembro de 2008, e foi a primeira vez em que estive naquele ambiente. De lá pra cá estive lá várias vezes para assistir ou participar de ensaios de diferentes projetos dele e nosso, e nesse dia, enquanto esperava o fluxo de carros diminuir para entrar na avenida, me bateu um sentimento super engraçado. Me veio aquela pergunta: “Quem diria, né?” Quem diria, naquele minha primeira ida a um estúdio de música, que idas a estúdios de música entraria pra minha rotina? Hoje mesmo fui a um. Quem diria que eu me interessaria a mexer com música? Quem diria que, de lá pra cá, eu teria participando de tanta coisa diferente? Quem diria, naquele dia, que eu estaria namorando aquele mesmo vocalista, compositor, colega de escola, adolescente.. até hoje? Quem diria que hoje ele estaria prestes a fazer muito sucesso? E eu mesma me respondi: Eu! Sou meio intuitiva, é sério. Naquela época entrei naquele estúdio como se estivesse entrando em uma nova fase da minha vida. Sentido e feito!

Do blog antigo - De  30 de setembro de 2011

Filhote de Leão

Outra coisa que eu sempre fui: Materna. Sim, materna.. Sempre admirei criancinhas e bebês que me identifico com um carinho ímpar, com aquele sentimento de proteção. Foi assim com meus priminhos caçulas que cresceram e ainda trato e vejo como aquele bebezinho com quem passava horas sem me cansar. Sempre pensei muito nos meus futuros filhos, em como seriam, física e mentalmente, a quem puxariam, etc.. Mas, ao mesmo tempo, sempre tive muito, mas muito mesmo, medo (pânico) de hospital, operação, cortes, agulhas, sangue.. Morria de medo do parto! Da dor! Contudo, a vontade de me ver em outro ser (sim, egoísmo em alguns pontos de vista) sempre foi maior! E essa vontade só fez explodir no peito e no ventre quando conheci o meu atual namorado. Todo e qualquer medo desapareceu da minha cabeça e eu vivo pensando no dia em que vou ter condições financeiras e psicológicas para ver a minha barriga crescer aos pouquinhos.. E gerar algo meu, dele, nosso.
Enfim, estava eu no ônibus hoje vindo para o meu estágio e ouvindo Caê no Ipod, mais precisamente o álbum “Bicho”. Não sei você, mas eu, quando coloco o fone no ouvido andando de ônibus ou mesmo a pé pela cidade, tenho a sensação de que o mundo está escutando aquela mesma música, como uma trilha sonora daquele dia. Estava eu, alegrando meu dia com “Odara”, “Gente”, “Olha o Menino”, quando, eis que de repente, me deparo com “Leãozinho”, música que remete (assim como várias outras) minha infância no Clubinho, lugar onde passei todos meus finais de semana. Mas “Leãozinho” se fez diferente aos meus ouvidos e coração.. Se fez de uma maneira que só eu sei.. Hoje ela tocou como se eu estivesse cantando para o meu filho, e cada palavrinha caiu bem como uma petalazinha de rosa na grama verde, viva! De repente subiu um calor do peito, que foi até as minhas extremidades e voltou. É, inenarrável! E me veio um nome para o meu filho. Sei que isso pode me render uma discussão com o meu futuro marido e não sei o que vou querer amanhã, sei que hoje quero ter meu Léo, Leãozinho.. Ah, e claro, minha Marina Morena! (Caê e Gil)
♪ “Gosto muito de te ver, leãozinho, caminhando sob o sol
Gosto muito de você, leãozinho
Para desentristecer, leãozinho, o meu coração tão só
Basta eu encontrar você no caminho
Um filhote de leão, raio da manhã
Arrastando o meu olhar como um imã
O meu coração é o sol, pai de toda cor
Quando ele lhe doura a pele ao léu
Gosto de te ver ao sol, leãozinho, de te ver entrar no mar
Tua pele, tua luz, tua juba
Gosto de ficar ao sol, leãozinho, de molhar minha juba
De estar perto de você e entrar numa” ♫

* Do antigo blog - De 11 de setembro de 2011