A mente
solta, abruptamente, as rédeas do pensamento e voam alto, juntos. Tão alto que
sobe à espinha o calafrio do desnorteio, do descontrole. Não posso perder de
vista a mim mesma. Apago a luz, talvez assim me concentre em me trazer de
volta. O quarto é tão pequeno, como posso estar tão longe? Toco minha pele.
Talvez assim lembre a mim meu limite físico. De nada vale. Como uma pipa a
perder-se de vista no céu, localizo minha mente a uma distância inesgotável,
perdida e leve. Penso na queda livre, em sua velocidade e lucidez. Algo que me
trouxesse à terra firme, talvez assim caísse em mim. Ou me deixo levar por
novos ares, por asas fortes, por resignificados. Talvez assim me extrapolasse.